OLÁ, MEU NOME É JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA:
ESPERO QUE FIQUEM Á VONTADE NESTA MODESTA NAU POÉTICA. ESTEJAM EM CASA!
BIBLIOTECA NACIONAL, SITUADA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E SE ENCONTRAM SOB A PROTEÇÃO DA LEI
DOS DIREITOS AUTORAIS N° 9.610/98
TERRA-MATRIZ
Horizontes de padecimento e migalha
Cobrem de ferrugem
A usina da esperança incendiária:
As progressivas nuvens corpulentas do abandono
--- ao derramar a ácida peçonha do sepulcro do sonho
Sobre a equatorial e atlântica Nação-Melanina,
Muito embora não consiga secar, de todo, o córrego da alegria ---
Entorpece-lhe o sangue da autoestima.
O dissabor, a amargura e a cobiça
São gigantescas piranhas famintas:
Daninhas Ervas Boreais plantam
Suas sementes atiçadoras da ira
No solo de fraternais famílias
Para que floresça prolífica
A eterna dinastia das dantescas florestas de carnificina!
Ah, materna África minha,
Não bastasse
Terem pilhado de ti
O reino dos marfins, esmeraldas e diamantes da fibra;
Infectam-te com o vírus do caos
E a tornam aurífera joia suicida:
A belicosa locomotiva lucrativa!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
A POEM TO BOB DYLAN
Versos líricos que ecoam a animosa flora do protesto
Versos filosóficos que transformam em indômito oceano
O brutal mental deserto.
Versos que acordam o vulcão da sábia rebeldia
Versos que --- ao esbofetear a fronte da hipocrisia ---
Fissuram os pilares da tirania
Versos que libertam a lívida juventude cativa.
Versos que amam o livre amor
Versos que anseiam a psicodelia residida na flor
Versos que o mor poeta do folk
Em nós viçosamente poleniza
Depois de magistralmente OS compor
Com a ajuda da sua gaita
Ou do possante violão da revoltosa melodia.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
MARAVILHOSO DIRIGÍVEL FÁLICO Amaria ser úbere E me metamorfosear num panteão: Provar o sabor de me tornar púbere E --- ao mesmo tempo --- Vivenciar a proeza Da odisseia de um embrião. Semearem-me como semente, Irrompendo popular estadão: Os sonhos nunca morrem Embora sejam --- na maior Parte das vezes --- Astros Vãos! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA A SINFONIA DOS PENSAMENTOS ORGÂNICOS A saliva naufraga na superfície da garganta. O eco se afoga no mar da palidez cadavérica Que subjuga o semblante abatido da esperança. Doridas manhãs e angustiantes distâncias Afloram sobre o chão do fluxo das lembranças. O sol destranca a Poesia das paisagens averbalizadas. A tarde que se assenta represa e descerra A efusão das mágoas guardadas. A lua nos emprenha de claridade sensata Para podermos contemplar A miséria e a beleza da humanidade á lepra condenada. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA VIAJANDO NA VIAGEM... Portão enclausurado Brisa empalada por chaveiro A lira erudita é a filosofia Do estéril cancioneiro Quero amanhecer a luminescência do ensejo Adormecer sob o aconchego do mundano seio Oceanos da paz desejo Solfejar cânticos de Ioruba no terreiro Penso em deslizar por desfiladeiros Acossar insanamente o desterro Naufragar minha coragem nos mares do desassossego Encharcar a minha mente De Raul Seixas Ao entrar em êxtase Por beber vinho seco Sou o beijo que beija a todos e a si mesmo Favelas incessantemente recrudescendo Faca cortando o tédio e o engarrafamento Lança lançando o lamento Faísca faiscando o incêndio Vento que venta sobre o meu vento Sinto o sentido sentimento Morro no morro do momento Produzo o pão do penoso pensamento Ando azulejando aragens Passo o passado da passagem Vivo viajando na viagem JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA A ODISSEIA DOS ÓRFÃOS A lágrima que se transforma Na foz da saudade perpetuada. O sentimento que ultrapassa A progressiva miríade infinita De espaciais galáxias. A alegria que converge Á alameda da vida duma efeméride ávida. A falta que faz da espera A mágoa ulcerada. Pessoas-Crisálida, aprisionadas Ao estado vegetativo da sina subordinada. A Equação da Paz Que, após suplantar a longa e obliqua estrada, Sadicamente não chega á solução exata. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA A CAMINHO DA QUEDA O abismo abscondido nos pensamentos Engole a força de vontade, Os vocábulos, a torrente dos caleidoscópicos sentimentos: Tingidos de malsã calmaria e selvagens arrebóis de placebo! O abismo formatando-se como pirâmide-metástase Amaldiçoa, contamina, animaliza e escalavra Toda a sociedade, que hasteia a bandeira De espécie dos primatas mais augusta e avançada. O abismo coagula a angústia: Provoca terremotos, maremotos, Vórtices, vulcões, rupturas No sistema de comando da pessoa. O abismo é malária, a mamba preta ou a naja: a dengue clássica que se torna hemorrágica! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA A LIRA DO SEPULCRO PREMATURO O colapso da cor dos olhos. O vermelho defluindo da boca Como filamentos grossos. A juventude encontrando A imorredoura tumba, Ainda na aurora da sua jornada-ventura. No entanto, Este túmulo precoce Não açaima a prole da mocidade: As jovens flores Que não se entregam á ciranda do banzo Brados por liberdade Continuam vociferando. E por lá estes hinos soberanos vão se propagando: Seja pelas ruas da outrora rica Mesopotâmia, Seja pelas avenidas da África Subsaariana, Seja pelas esquinas, praças e alamedas do mundo Em que a paz é tratada onipresentemente Consoante um precioso manipanso! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA VIAGEM AO CENTRO DO MEU CORAÇÃO O quão gostaria de ser indiferente Ao meu coração Atlântico e masoquista: Emotiva tempestade oceânica Que me domina, deixando A temeridade ganhar substância Para depois, de maneira imperativa, Singrar toda a estrada da minha sina Como se fosse a inexorável, vampírica Csarina, A Grande Catarina! Conforme uma febre irascível, raivosa, O passionalismo, em mim, aflora: Portanto, os assentes pilares da prudência Comutam-se na mais moribunda geleira. Assim, ao simples desabrochar Dos olhos da aurora, A sensatez cai morta E descerra as comportas Para a plena vazão Da vontade indômita, furiosa! Então, levianamente, As palavras pululam Do cérebro, convergindo Célere e torrencialmente Á malograda boca, impertinente. A sinceridade dá o tom da retórica: Os vocábulos grossa e sumariamente quedam Tal um toró de chuva Que rebenta do celeste ventre Da soteroplitana primavera. Afinal Falo quando ela declara Seu amor a outrem: Sim, infelizmente, Foi no momento adverso Que os meus lábios de epicédio Abriram o gás do verbo. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA O VOO-ODE Eu, a vela, a nau... Eu, a jornada, a jangada, o jogral... Eu, as estrelas, a estrada, os estafetas, o estendal... Eu, a balsa, a valsa, a vala, o caos, a vazante, o vau... Eu, a seca, a perda, a eira nem beira, a geleira, o fel, a treta, a majestade do sal... Eu, o berro, a boca, a bomba, a fraga, a flauta, a falta, a sede, o embornal... Eu, a guerra, a TERRA, a brasa, a cratera, A PRAÇA CELESTIAL... Eu, a viela, a berinjela, a barrela, a vinícola, a Imagética, o parreiral... Eu, o silêncio, a mesquita, a catedral, o concreto, a moreia, a Paz, A Pá de Cal... Eu, o poema, a cadela, os pirilampos da favela, a cena, a marola, o plenilúnio do sol... Eu, a Caatinga, Ipanema, o mar da Bahia, a poética aridez Cabralina, o Manguezal... Eu, a ébana lida, Xangô, Tereza Batista, O Sambista, O PAÍS DO CARNAVAL... Eu, a laje batida, a gata lasciva, o baba dominical... Eu, o vento, a ventania, o tempo, o outro lado da Física, a ânsia gutural... Eu, Lião, Policarpo Quaresma, Lea, A Miragem Vil-Metal... Eu, Luísa Main e Zeferina, Zumbi, João de Deus, Lucas Lira, O Livre Líquido Mineral... Eu, Marighella, Che Guevara, Lamarca, Panteão do Araguaia, REVOLUÇÃO, O Saber de Karl, A INTERNACIONAL... Eu, Mandela, Malcolm X, Martin Lutter King, O Incolor Sonho Imortal... Eu, Alegria-Alegria, A Palo Seco, Refazenda, Asa BrAnCA, Milagreiro, Roda-Viva, Ideologia, Maria-Maria, A Mosca Na Sopa, O Bêbado E O Equilibrista, Marina, Campo de Batalha e Malandrinha, O Vento No Litoral... Eu, o avesso do avesso, o verso, o verbo, a sedução do realejo, A Comédia acontecendo, o Drama de não se conhecer a si mesmo, Ocasos, orgasmos, beijos, canaviais, carvoarias, lagrimas efusivas, A Vida Afinal! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA REFLEXÕES ALTIVAGANTES Pensar calado e absorvente. Zarpar pelas oceânicas paisagens ácidas Que mutilam a alterosa utopia recorrentemente. Singrar caminhos que massageiem o êxtase da mente. Nutrir sequiosamente o sonho renitente De abrir --- para sempre --- Os umbrais da vontade consciente, Fechados hermeticamente Na tumular encefaloesfera Onde reside a oprimida gente: A enjaulada lancinada fera! Afinal, Fazer da prosa dos pensamentos Poesia quando --- no caderno Ou no espaço cibernético --- Sedentamente escrevo O que flui pela infinita aquarela De conexões do meu cérebro. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA · http://twitter.com/jessebarbosa27 http://www.myspace.com/nirvanapoetico O CERÂMICO GUARDADOR DE PAISAGENS NORDESTINAS (EM MEMÓRIA DE MESTRE VITALINO) Um grande homem do povo, Semente nascida da acre terra bucólica, Floresce, novamente, ao ser preso Pelas malhas do sortilégio da cerâmica: Opulento universo da prolífica verve prodigiosa, epifânica! Da carne desta mágica argila, Pulula um cosmo Que dá loquacidade, eloquência, garbo e encanto Á estóica vida no nordestino campo: Os carros de bois em caravana; A contenda dos amantes conjugais No exíguo aconchego da sua adôbica cabana; Os cangaceiros paramentados Como a realeza do fogo sepulcral; A Igreja, o santuário da fé imortal; A gente sofrida, templo da incansável esperança! Afinal a humilde nação do semi-arido: Reino dos sábios gigantes, Forjados pelo metal do contínuo drama insuplantável; A serena gana de ter direito á vida. Esta gana os agiganta, Torna-os a indelével chama magnífica! E então, o artífice Á rude paisagem sublima: O olor do cotidiano da faina campestre Se eterniza, eiva a mente e a visão Dos presunçosos ignaros Que desdenham a grandeza Da laboriosa estirpe do Nordestino Sertão: Incessante florescência da animosa Flora tenaz, incarcomível, insoçobrável! Ah, maestria, ah vitalidade! Vitalina é a centelha Que lhe alimenta A frondosa árvore da criatividade. Ah, etéreo mago fantástico! Ah, genial alquimista do barro! Sua mente, na verdade, É um cinético vulcão de avatar Que, ao entrar em erupção, Transforma o deserto da nossa visão Em verdejantes bosques de sensibilidade e lirismo. Enfim, tocados por sua mágica, Começamos a contemplar a beleza Cujo perfume, que aprisiona O organismo, o corpo, a retina e a órbita Do palato, da audição e do olfato dos olhos, Molda, norteia e afaga Os passos da prole do éden da sáfara. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://www.myspace.com/nirvanapoetico http://twitter.com/jessebarbosa27 TOADA DO REMANSO NA TEMPESTADE I A marola do tempo Faz suas vítimas. A marola do tempo Naufraga a fome dos idealistas. A marola do tempo Cancera a esperança. A marola do tempo Dirime a soma. A marola do tempo Desdenha a partilha e a janta. A marola do tempo Entorpece a vontade que se agiganta. II A marola do tempo É um fermento de fel recrudescendo. A marola do tempo Edifica cemitérios do desejo. A marola do tempo Logra a juventude. A marola do tempo Carcome o lume. A marola do tempo Cavalga pelas órbitas e platôs da mente. A marola do tempo Veste de humildade e de fé o ego das sábias gentes. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://www.myspace.com/nirvanapoetico
POESIA AO ACASO Contemplo o sol. Canto ao vento. Sinto --- agindo sobre mim --- O galopar do tempo. Cheiro a sal do mar. Sou testamento. Por horas a fio, Sentado no chão do silêncio, Confabulo com meus pensamentos. Na pista da vida, vivo sempre em movimento. Na rima do mundo, Comporto-me como quem seja Um poeta a meio passo da ribanceira. Mas então, Escuto o perfume da alegria Sapatear pelas narinas do meu desejo: Assim, aos poucos, A flora e a água Se amalgamam com a fauna da imaginação, Parindo um poema livre, Leve, elástico, elétrico, O mais jocoso trovão intrépido! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA LIRA PARA ALVORECER A ALVORADA Escuto o silêncio Dizer á madrugada Que se prolongue nos invernos: Ah, Enquanto esta ordem-conselho Se processa na mente do tempo, Cavalga por todo o meu cérebro O viscoso e insólito pensamento De que seja o basáltico céu empalidecido A perfeita comunhão entre a elação da beleza E os sortilégios dum mar capcioso e sombrio. Escuto o silêncio Dizer á madrugada Que se prolongue nos invernos: Esta miscível atmosfera eclética De anestesia, Prosa, Poesia, Onirismo, miasmas, niilismo, corvo, frescura, Espreita, peçonha, perfídia e coruja Casamata um reino de desovas, volúpias, Espermas, esperas, espirais de psicodelia, Enseada para fugas ou a Política daninha, Teatro, Baco, vinhas, sangue a cada esquina; Heróis, concertos de Rock e Operas que reverenciam A Jazzística Cinética Ventania! Escuto o silêncio Dizer á madrugada Que se prolongue nos invernos: Capturo as essências da urina, Da friagem, do orvalho, da orquídea em remanso, Da groselha e da azaleia de ébano, Aspergindo-as na página em branco Do meu corpulento caderno De Vermelhos Versos Saltimbancos! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA · http://twitter.com/jessebarbosa27 http://www.myspace.com/nirvanapoetico AURORA NO CREPÚSCULO Supersônico, o vórtice letal está a galope: Sinto a sua fragrância lancinante Pairar sobre as redondezas Do nosso cangote. Belicosidade e ganância São seu ultimato, O mais dantesco aviso prévio: A senha para convergirmos Concomitantemente ao mesmo cemitério raso. Desejo que saibamos Da universalidade do sol: Sua majestade brilha para todos, Não se restringe tão-só A alguns poucos rouxinóis. Ah, mas a cegueira Nos vegetaliza a mente: Os pensamentos, como Prole da livre fluência, Entram em estado de animação suspensa, Tornando-se permeáveis Á ruína de tudo o que seja sinfonia Da autônoma consciência. Todavia a esperança persiste: Embora viva mutilada, Ela sonha que um dia Tocará o arco-íris, Transformando-o Na sua mais cara E egrégia harpa. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA ODE AO ITABIRANO CARLOS Poetar mineiramente Poetar com a simplicidade eloquente Poetar de pensamento solto Poetar parindo a ROSA DO POVO. Poetar o estar no mundo Poetar reverenciando O ADORÁVEL VAGABUNDO Poetar fazendo verso com o substantivo próprio RAIMUNDO. Poetar AS MÃOS DADAS Poetar A ROSA E A NÁUSEA Poetar o quão é funda a angústia Poetar a consciência de que a vida Anda em contínua fuga. Poetar a supernova prematura do leiteiro Poetar o encontro com as pedras no CAMINHO Poetar o ensimesmar criativo. Poetar Itabira Poetar a saudade de uma ERA perdida Poetar como é BESTA a VIDA. Poetar a perda de identidade Poetar o amor maduro e a desumanidade Poetar sutil e de fogo alto é o poetar de CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://bocamenordapoesia.webnode.com.pt/ · http://twitter.com/jessebarbosa27 A AQUARELA DA BUSCA Homem mijando na rua: A urina exala o aroma Da amoníaca fedentina madura. O fulgor do sol, Qual --- ao meio-dia --- Se acentua: Os olhos ardem, Sem candura, Ao tentarem divisar A face, a porosidade, a solar textura! Deitadas na cama da amorosa úlcera, Pessoas estão á espera Do samba que lhes traga a tão sonhada cura. A Rainha das damas Ostenta a sua impiedosa postura: Serdes só meros peões Entre vis e edazes sanguessugas. Lua-Cheia, Nova Lua: Postando-se de pé sobre o meio-fio, A poética verve locomove-se a pé E segue o fluxo do rio Onde a Liberdade sem brumas triunfa! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://bocamenordapoesia.webnode.com.pt/ · http://twitter.com/jessebarbosa27 QUERERES POÉTICOS Seduzir o ar com fonemas. Parir Rosas, Palmas, Pérolas Negras, Acácias, Esmeraldas, Alfazemas, Açucenas! Morar eternamente Na vivenda Do mais acuidoso Poema! Inalar o pólen da ausência. Sentir a ressaca martelar Pregos de langor e dolência no âmago da cabeça! Ver o ódio gangrenar: Confiná-lo, Para sempre, No necrotério das maléficas lendas! Contemplar os oceanos de todas as Américas E só poder derramar corpulentas lágrimas Apenas! Ser poeta, Ser a água fresca da consciência! Buscar na vida --- Que continuamente rebenta --- A face serena da majestosa Maternal Natureza! Ovacionar diariamente a quem ama. Tocar obcecadamente Legião Urbana. Hastear bandeiras do altruísmo e da libertária chama Contra a peçonha da ganância, da tirania, da intolerância! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA VENTANIAS DA MENTE Preciso adelgaçar cometas. Preciso nivelar-me ao celeste azul. Preciso ler Manuel Bandeira. Preciso ouvir As Rosas Não Falam, Free Jazz e Blues! Preciso garimpar as incertezas da certeza. Preciso tomar um porre de Rum. Preciso pôr as cartas sobre a mesa. Preciso flertar com O Bando de Teatro Olodum! Preciso sentir a textura da tez da minha Preta. Preciso prementemente ir á rua desnudo do habitual calandu. Preciso assistir --- de novo --- á película O Baixio das Bestas. Preciso pagar --- com os juros da cara --- a conta de luz! Preciso dormir por 8 horas. Preciso comprar os acústicos de Jorge Benjor, Seu Jorge e Paulinho da Viola. Preciso gostar de comer chuchu e saber que não sou cult. Preciso criar coragem para suportar o peso da minha Cruz! Preciso encarar a barrela. Preciso fazer 1 bilhão de aquarelas. Preciso descobrir minhas raízes no Benin ou na Nigéria. Preciso demonstrar mais amor pela Terra. Preciso ser Angola, Moçambique, Sudão, Somália, Etiópia e África do Sul. Preciso chupar acerola, umbu, cajá além de caju. Preciso largar mão de querer rimar com o fonema e o corpo da letra U! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://www.myspace.com/nirvanapoetico · http://twitter.com/jessebarbosa27 A ESPORÁDICA MAJESTADE DO INCOMUM Há dias que a retina não controla A projeção de imagens. Há dias que a urina infunde Á leve menção do simples laivo da vontade. Há dias que a doce e inócua brisa Escalavra cruelmente a face. Há dias que a noite É contínua manhã incólume: a aderente Paisagem! Há dias que a Escuridão é a alameda Onde reside a foz de toda a universal verdade. Há dias que o dia Aparenta ser fluxos e refluxos de miragem. Há dias que o Poema É o mais etéreo plenilúnio da Vacuidade Há dias que a latitude e a lembrança São o mais edaz epicentro da saudade. Há dias que o ser concreto São os sortilégios de Mérlin, Iemanjá, Baco, Amon-Rá e o Hades. Há dias que o Poeta É corpo sem Verve, a terra sem Verbo: A Vácua Viagem! Há dias que a guerra Sucumbe ao sopro do vento da Amizade. Há dias que a Porta Não é uma mera passagem. Há dias que o sofrido povo Não é miríade e sim, O Principal Personagem. Há dias que a Poesia sonha O sonho de ser o Graal da IGUALDADE! JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://www.myspace.com/nirvanapoetico · http://twitter.com/jessebarbosa27 LEVEMENTE DIVAGATÓRIO A Quântica Física --- a uma certa hora --- Parece ser a senha emancipadora Para o eterno reino da Aurora. A rotina dos dias --- a uma inesperada Mudança de rota --- Transforma a vida Numa sarcástica via Láctea jocosa. A estrada da vida Avança á toda carga: Á medida que me afogo Na turbilhosa rosa-dos-ventos Destes meus pensamentos, A maior das epifanias do mundo Loucamente me assalta. Ah, Quando a supernova absoluta Vier me apanhar, Espero ser fleuma Ainda que viva Num cosmo Onde reinem Unicamente As lavas rancorosas do outrora Azul Planeta. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://www.myspace.com/nirvanapoetico · http://twitter.com/jessebarbosa27 A LIRA DA ERRÂNCIA DOS PENSAMENTOS Bem no fluxo do sonho moribundo, A mente procura o significado Do que é vagar sem rumo. Bem no seio do céu profundo, Um bando de corvos, açores Albatrozes, gaivotas e bem-te-vis Voa inalando o eflúvio do caótico mundo. Bem no âmago das chacinas, úlceras, mentiras, Mazelas, senzalas modernas e opressão, Repousam as guloseimas que anestesiam Sensores de discernimento da razão. Contra o triunfo Do horizonte soturno, Há a resistência da contumaz e inerme Flor amarela que aflora Do solo dos opacos olhos cor de insone névoa. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA http://recantodasletras.uol.com.br/ http://www.memoriaviva.com.br/drummond/verso.htm
A POEM TO BOB DYLAN
Versos líricos que ecoam a animosa flora do protesto
Versos filosóficos que transformam em indômito oceano
O brutal mental deserto.
Versos que acordam o vulcão da sábia rebeldia
Versos que --- ao esbofetear a fronte da hipocrisia ---
Fissuram os pilares da tirania
Versos que libertam a lívida juventude cativa.
Versos que amam o livre amor
Versos que anseiam a psicodelia residida na flor
Versos que o mor poeta do folk
Em nós viçosamente poleniza
Depois de magistralmente OS compor
Com a ajuda da sua gaita
Ou do possante violão da revoltosa melodia.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA