A PROSPECÇÃO DA PAISAGEM

09-02-2010 12:50

 

 

                            

 

Quando deixamos de ser etérea manhã,

Ainda no átrio da estrada,

Tornamo-nos presa

Da fome precoce do inexorável ocaso: 

 

 

A latitude do céu,

Que pensávamos infinita,

Revela-se cria de um universo volátil.

 

 

Ah, e o nosso mar nos mostra

A sua lídima índole:

A ferocidade do vórtice do ódio

Aflora-lhe do bojo,

Domando progressiva

E plenamente

Todo o seu aqualino corpo.

 

 

A terra,

Que compõe a nossa pele,

Liquefaz-se em córregos do pus

Incarcomível:

A chaga se transforma

Em um novo tegumento,

Agora, irremovível!

 

 

Então o que reina

É uma paisagem de água:

Empedernida, rocha insoçobrável,

Mármore entalhado no oceano da passional sáfara.

 

 

 

 JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA